segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

O filho

O filho esperado no ventre da mãe prematura (filho que não nasceu ainda e que aguarda-se em semente pelo tempo que resta), o filho deveria partir de um homem X, ansiado desde o nascer desta mãe e por ela encontrado, finalmente, após anos de solidão e desejo. O filho esperado, deste pai encontrado e querido, aguarda no tempo etéreo do sonho pelo seu desabrochar em flor.
A futura mãe, sequiosa de seu rebento, não dorme mais a noite. Às noites, irriqueita, ela corre a mão sobre a barriga lisa e magra, oca, e deseja com todas as suas forças chegar o dia em o menino eleito explodirá como um cometa de dentro do ventre grávido.
Eis que cinco ou seis palavras, saídas da boca do pai (o homem encontrado, querido) serão suficientes para fazer crescer dentro dela, mãe, o ponto de interrogação retumbante, colossal, imensurável...
Cinco ou seis palavras fazem nascer depressa o filho, antes mesmo da concepção.
Cinco ou seis palavras fazem morrer depressa o sonho, antes mesmo da consagração.
(E o poema acaba aqui, com o mistério suspenso)

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