tenho raiva deles. Pegue uma Amy Winehouse, por exemplo: uma cantora talentosa, promissora, e auto-destrutiva. Pegue uma Britney Spears: beleza, fama, dinheiro, Sandy dos EUA, e auto-destrutiva. Não tenho raiva deles porque querem se matar e blá-blá-blá - o que neles me irrita é o espelho das minhas contradições, vejo-me neles. Estes putos estão se fodendo para construir carreira, família, patrimônio... estão vivendo no foda-se bem apertado, esfregando na nossa cara o aval que nós lhes demos para ser assim, para vestirem a armadura do "gênio incompreendido". E que fazemos se não acompanhar com sagacidade o seu "down hill" pessoal? E gozar com isso, e amar isso, e se vislumbrar vivendo isso, dessa maneira espalhafatosa e galharda... E me odeio quando me pego pensando se esta não seria a maneira mais agradável de viver... "Sociedade dos Poetas Mortos" é um filme (ótimo, por sinal) sobre a importância de gozar o agora - mas se esse agora tolhe o seu amanhã, reduz a experiência de vida a nada, ele é valido? E se a prudência do amanhã limita sua capacidade de saborear o hoje e perder-se nele, este caminho é mais doce?
Fico novamente com o Whitman (muito oportunamente parafraseado a todo instante no filme citado): "... De que vale tudo isso, oh eu, oh vida? Resposta: que você está aqui. Que a vida e a identidade existem. Que o poderoso jogo continua e você pode contribuir com um verso".
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário